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PALAVRAS DE MÃE

“Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto
ele vos disser.” (JOÃO, 2: 5)

O Evangelho é roteiro iluminado do qual Jesus é
o centro divino. Nessa Carta  da  Redenção,  rodeando­lhe a  figura  celeste,  existem  palavras,  lembranças, dádivas e indicações muito amadas dos que lhe foram legítimos colaboradores no
mundo.
Recebemos  aí  recordações  amigas  de  Paulo,  de  João,  de  Pedro,  de companheiros outros do Senhor, e que não poderemos esquecer.
Temos  igualmente,  no  Documento  Sagrado,  reminiscências  de  Maria.
Examinemos suas preciosas palavras em Caná,
cheias de sabedoria e amor materno.
Geralmente, quando os filhos procuram a carinhosa intervenção de mãe é
que se sentem órfãos de ânimo ou necessitados de alegria. Por isso mesmo, em todos os  lugares  do  mundo,  é  comum  observarmos  filhos  discutindo  com  os  pais  e chorando ante corações maternos.
Interpretada com justiça por anjo tutelar do Cristianismo, às vezes é com
imensas aflições que recorremos a Maria.
Em  verdade,  o  versículo  do  apóstolo  João  não  se  refere  a  paisagens
dolorosas. O episódio ocorre numa festa de bodas, mas podemos aproveitar­lhe a
sublime expressão simbólica.
Também  nós  estamos  na  festa  de  noivado  do  Evangelho  com  a  Terra.
Apesar dos quase vinte séculos decorridos, o júbilo ainda é de noivado, porquanto
não  se  verificou  até  agora  a  perfeita  união...  Nesse  grande  concerto  da  idéia renovadora, somos serventes humildes. Em muitas ocasiões, esgota­se o vinho da esperança. Sentimo­nos extenuados, desiludidos... Imploramos ternura maternal e eis que Maria nos responde: Fazei tudo quanto ele vos disser.
O conselho é sábio e profundo e foi colocado no princípio dos trabalhos de
salvação.
Escutando  semelhante  advertência  de  Mãe,  meditemos  se  realmente
estaremos fazendo tudo quanto o Mestre nos disse.



DOMÍNIO ESPIRITUAL

“Não estou só, porque o Pai está comigo.”  Jesus (JOÃO, 16: 32)

Nos  transes  aflitivos  a  criatura  demonstra  sempre  onde  se  localizam  as forças exteriores que lhe subjugam a alma.
Nas grandes horas de testemunho, no sofrimento ou na morte, os avarentos clamam pelas posses efêmeras, os arbitrários exigem a obediência de que se julgam credores, os supersentimentalistas reclamam o objeto de suas afeições.
Jesus, todavia, no campo supremo das últimas horas terrestres, mostra­-se absoluto  senhor  de  si  mesmo,  ensinando­nos  a  sublime  identificação  com  os propósitos do Pai, como o mais avançado recurso de domínio próprio.
Ligado naturalmente às mais diversas forças, no dia do Calvário não se prendeu a nenhuma delas.
Atendia ao governo humano lealmente, mas Pilatos não o atemoriza.
Respeitava a lei de Moisés; entretanto, Caifás não o impressiona.
Amava enternecidamente os discípulos; contudo, as razões afetivas não lhe dominam o coração.
Cultivava com admirável devotamento o seu trabalho de instruir e socorrer, curar e consolar; no ntanto, a possibilidade de permanecer não lhe seduz o espírito.
O ato de Judas não lhe arranca maldições.
A ingratidão dos beneficiados não lhe provoca desespero.
O pranto das mulheres de Jerusalém não lhe entibia o ânimo firme.
O sarcasmo da multidão não lhe quebra o silêncio.
A cruz não lhe altera a serenidade.
Suspenso no madeiro, roga desculpas para a ignorância do povo.
Sua  lição  de  domínio  espiritual  é  profunda  e  imperecível.  Revela  a necessidade  de  sermos  “nós  mesmos”,  nos  transes  mais  escabrosos  da  vida,  de consciência tranqüila elevada à Divina Justiça e de coração fiel dirigido pela Divina Vontade.

NO QUADRO REAL

“Dei­-lhes  a  tua  palavra,  e  o  mundo  os  aborreceu,
porque não são do mundo, assim como eu do mundo
não sou.” Jesus (JOÃO, 17: 14)

Aprendizes  do  Evangelho,  à  espera  de  facilidades  humanas,  constituirão sempre assembléias do engano voluntário.
O Senhor não prometeu aos companheiros senão continuado esforço contra as sombras até a vitória final do bem.
O cristão não é flor de ornamento para igrejas isoladas. É “sal da Terra”,
força de preservação dos princípios divinos no santuário do mundo inteiro.
A  palavra  de  Jesus,  nesse  particular,  não  padece  qualquer  dúvida:  “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga­me. Amai vossos inimigos. Orai pelos que vos perseguem e caluniam. Bendizei os que vos maldizem. Emprestai sem nada esperardes. Não julgueis para não serdes julgados.
Entre vós, o maior seja servo de todos. Buscai a porta estreita. Eis que vos envio
como ovelhas ao meio dos lobos. No mundo, tereis tribulações.”
Mediante  afirmativas  tão  claras,  é  impossível  aguardar  em  Cristo  um doador de vida fácil. Ninguém se aproxime d’Ele sem o desejo sincero de aprender a melhorar­se. Se Cristianismo é esperança sublime, amor celeste e fé restauradora, é também trabalho, sacrifício, aperfeiçoamento incessante. Comprovando suas lições divinas, o Mestre Supremo viveu servindo e morreu na cruz.

NA MEDITAÇÃO

“E foram sós num barco para um lugar deserto.”  (MARCOS, 6: 32)

Tuas mãos permanecem extenuadas por fazer e desfazer.
Teus  olhos,  naturalmente,  estão  cheios  da  angústia  recolhida  nas perturbações ambientes.
Doen­te os pés nas recapitulações dolorosas.
Teus  sentimentos  vão  e  vêm,  através  de  impulsos  tumultuáríos, influenciados por mil pessoas diversas.
Tens o coração atormentado.
É  natural.  Nossa  mente  sofre  sede  de  paz,  como  a  terra  seca  tem necessidade de água fria.
Vem a um lugar à parte, no país de ti mesmo, a fim de repousar um pouco.
Esquece  as  fronteiras  sociais,  os  controles  domésticos,  as  incompreensões  dos parentes, os assuntos difíceis, os problemas inquietantes, as idéias inferiores.
Retira­te dos lugares comuns a que ainda te prendes.
Concentra­-te, por alguns minutos, em companhia do Cristo, no barco de teus pensamentos mais puros, sobre o mar das preocupações cotidianas...
Ele te lavará a mente eivada de aflições.
Balsamizará tuas úlceras.
Dar­te­á salutares alvitres.
Basta que te cales e sua voz falará no sublime silêncio.
Oferece­lhe  um  coração  valoroso  na  fé  e  na  realização,  e  seus  braços
divinos farão o resto.
Regressarás, então, aos círculos de luta, revigorado, forte e feliz.
Teu coração com Ele, a fim de agires, com êxito, no vale do serviço.
Ele contigo, para escalares, sem cansaço, a montanha da luz.

NA ORAÇÃO

“Senhor, ensina-­nos a orar...”  (LUCAS, 11: 1)

A prece, nos círculos do Cristianismo, caracteriza­se por gradação infinita em  suas  manifestações,  porque  existem  crentes  de  todos  os  matizes  nos  vários cursos da fé.
Os seguidores inquietos reclamam a realização de propósitos inconstantes.
Os egoístas exigem a solução de caprichos inferiores.
Os ignorantes do bem chegam a rogar o mal para o próximo.
Os tristes pedem a solidão com ociosidade.
Os desesperados suplicam a morte.
Inúmeros beneficiários do Evangelho imploram isso ou aquilo, com alusão à boa marcha dos negócios que lhes interessam a vida física. Em suma, buscam a fuga. Anelam somente a distância da dificuldade, do trabalho, da luta digna.
Jesus suporta, paciente, todas as fileiras de candidatos do seu serviço, de
sua  iluminação,  estendendo­lhes  mãos  benignas,  tolerando­lhes  as  queixas
descabidas e as lágrimas inaceitáveis.
Todavia, quando aceita alguém no discipulado definitivo, algo acontece no
íntimo da alma contemplada pelo Senhor.
Cessam  as  rogativas  ruidosas.  Acalmam­se  os  desejos  tumultuários.
Converte­se a oração em trabalho edificante. O discípulo nada reclama. E o Mestre,
respondendo­lhe às orações, modifica­lhe a vontade, todos os dias, alijando­lhe do
pensamento os objetivos inferiores.
O coração unido a Jesus é um servo alegre e silencioso.
Disse­lhe o Mestre: Levanta­te e segue­me. E ele ergueu­se e seguiu.

POSSES DEFINITIVAS

“Eu  vim  para  que  tenham  vida,  e  a  tenham  em abundância.”  Jesus (JOÃO, 10: 10)

Se a paz da criatura não consiste na abundância do que possui na Terra, depende da abundância de valores definitivos de que a alma é possuída.
Em razão disso, o Divino Mestre veio até nós para que sejamos portadores de vida transbordante, repleta de luz, amor e eternidade.
Em favor de nós mesmos, jamais deveríamos esquecer os dons substanciais a serem amealhados em nosso próprio espírito.
No jogo de forças exteriores jamais encontraremos a iluminação necessária.
Maravilhosa é a primavera terrena, mas o inverno virá depois dela.
A mocidade do corpo é fase de embriagantes prazeres; no entanto, a velhice não tardará.
O  vaso  físico  mais  íntegro  e  harmonioso  experimentará,  um  dia,  a enfermidade ou a morte.
Toda a manifestação de existência na Terra é processo de transformação permanente.
É  imprescindível  construir  o  castelo  interior,  de  onde  possamos  erguer sentimentos aos campos mais altos da vida.
Encheu­nos  Jesus  de  sua  presença  sublime,  não  para  que  possuamos
facilidades efêmeras, mas para sermos possuídos pelas riquezas imperecíveis; não para que nos cerquemos de favores externos e, sim, para concentrarmos em nós as aquisições definitivas.
Sejamos portadores da vida imortal.
Não nos visitou o Cristo, como doador de benefícios vulgares. Veio ligar­ nos a lâmpada do coração à usina do Amor de Deus, convertendo­nos em luzes inextinguíveis.

BENS EXTERNOS

“A vida de um homem não consiste na abundância das coisas que possui.”  Jesus (LUCAS, 12: 15)

“A vida de um homem não consiste na abundância das coisas que possui.”
A palavra do Mestre está cheia de oportunidade para quaisquer círculos de atividade humana, em todos os tempos.
Um homem poderá reter vasta porção de dinheiro. Porém, que fará dele?
Poderá exercer extensa autoridade. Entretanto, como se comportará dentro dela?
Poderá  dispor  de  muitas  propriedades.  Todavia,  de  que  modo  utiliza  os patrimônios provisórios?
Terá muitos projetos elevados. Quantos edificou?
Poderá  guardar  inúmeros  ideais  de  perfeição.  Mas  estará  atendendo  aos
nobres princípios de que é portador?
Terá escrito milhares de páginas. Qual a substância de sua obra?
Contará muitos anos de existência no corpo. No entanto, que fez do tempo?
Poderá contar com numerosos amigos. Como se conduz perante as afeições que o
cercam?
Nossa vida não consiste da riqueza numérica de coisas e graças, aquisições
nominais e títulos exteriores.
Nossa  paz  e  felicidade  dependem  do  uso  que  fizermos,  onde  nos encontramos  hoje,  aqui  e  agora,  das  oportunidades  e  dons,  situações  e  favores, recebidos do Altíssimo.
Não  procures  amontoar  levianamente  o  que  deténs  por  empréstimo.
Mobiliza, com critério, os recursos depositados em tuas mãos.
O Senhor não te identificará pelos tesouros que ajuntaste, pelas bênçãos que retiveste, pelos anos que viveste no corpo físico. Reconhecer­te­á pelo emprego dos teus dons, pelo valor de tuas realizações e pelas obras que deixaste, em torno dos próprios pés.

NÃO PERTURBEIS

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”  Jesus (MATEUS, 19: 6)

A  palavra  divina  não  se  refere  apenas  aos  casos  do  coração.  Os  laços afetivos  caracterizam­se  por  alicerces  sagrados  e  os  compromissos  conjugais  ou domésticos  sempre  atendem  a  superiores  desígnios.  O  homem  não  ludibriará  os impositivos da lei, abusando de facilidades materiais para lisonjear os sentidos.
Quebrando  a  ordem  que  lhe  rege  os  caminhos,  desorganizará  a  própria existência.  Os  princípios  equilibrantes  da  vida  surgirão  sempre,  corrigindo  e restaurando...
A advertência de Jesus, porém, apresenta para nós significação mais vasta.
“Não separeis o que Deus ajuntou” corresponde também ao “não perturbeis o que Deus harmonizou”.
Ninguém alegue desconhecimento do propósito divino, O dever, por mais duro, constitui sempre a Vontade do Senhor. E a consciência, sentinela vigilante do Eterno, a menos que esteja o homem dormindo no nível do bruto, permanece apta a discernir o que constitui “obrigação” e o que representa “fuga”.
O  Pai  criou  seres  e  reuniu­os.  Criou  igualmente  situações  e  coisas, ajustando­as para o bem comum. Quem desarmoniza as obras divinas, prepare­se para a recomposição. Quem lesa o Pai, algema o próprio “eu” aos resultados de sua ação infeliz e, por vezes, gasta séculos, desatando grilhões...
Na atualidade terrestre, esmagadora percentagem dos homens constitui­se de milhões em serviço reparador, depois de haverem separado o que Deus ajuntou, perturbando, com o mal, o que a Providência estabelecera para o bem.
Prestigiemos as organizações do Justo Juiz que a noção do dever identifica para nós em todos os quadros do mundo. Ás vezes, é possível perturbar­lhe as obras com  sorrisos,  mas  seremos  invariavelmente  forçados  a  repará­las  com  suor  e lágrimas.

NÃO CRER

“Mas quem não crer será condenado.”  Jesus (MARCOS, 16: 16)

Os que não crêem são os que ficam. Para eles, todas as expressões da vida se reduzem a sensações finitas, destinadas à escura voragem da morte.
Os que alçam o coração para a vida mais alta estão salvos. Seus dias de trabalho são degraus de infinita escada de luz. A custa de valoroso esforço e pesada luta,  distanciam­se  dos  semelhantes  e,  apesar  de  reconhecerem  a  própria imperfeição, classificam a paisagem em torno e identificam os caminhos evolutivos.
Tomados de bom ânimo, sentem­se na tarefa laboriosa de ascensão à montanha do amor e da sabedoria.
No  entanto,  os  que  não  crêem,  limitam  os  próprios  horizontes  e  nada
enxergam  senão  com  os  olhos  destinados  ao  sepulcro,  adormecidos  quanto  à reflexão e ao discernimento.
Afirmou Jesus que eles se encontram condenados.
A  primeira  vista,  semelhante  declaração  parece  em  desacordo  com  a
magnanimidade do Mestre.
Condenados a que e por quem?
A justiça de Deus conjuga­se à misericórdia e o inferno sem­fim é imagem
dogmática.
Todavia, é imperioso reconhecer que quantos não crêem, na grandeza do
próprio destino, sentenciam a si mesmos às mais baixas esferas da vida. Pelo hábito de apenas admitirem o visível, permanecerão beijando o pó, em razão da voluntária incapacidade de acesso aos planos superiores, enquanto os outros caminham para a certeza da vida imortal.
A crença é lâmpada amiga, cujo clarão é mantido pelo infinito sol da fé. O vento da negação e da dúvida jamais consegue apagá­la.
A  descrença,  contudo,  só  conhece  a  vida  pelas  sombras  que  os  seus
movimentos projetam e nada entende além da noite e do pântano a que se condena
por deliberação própria.

ESPEREMOS

“Não  esmagará  a  cana  quebrada  e  não  apagará  o morrão que fumega, até que faça triunfar o juízo.”  (MATEUS, 12: 20)

Evita as sentenças definitivas, em face dos quadros formados pelo mal.
Da lama do pântano, o Supremo Senhor aproveita a fertilidade.
Da pedra áspera, vale­se da solidez.
Da  areia  seca,  retira  utilidades  valiosas.  Da  substância  amarga,  extrai
remédio salutar. O criminoso de hoje pode ser prestimoso companheiro amanhã.
O  malfeitor,  em  certas  circunstâncias,  apresenta  qualidades  nobres,  até então ignoradas, de que a vida se aproveita para gravar poemas de amor e luz.
Deus não é autor de esmagamento.
É Pai de misericórdia.
Não destrói a cana quebrada, nem apaga o morrão que fumega.
Suas mãos reparam estragos, seu hálito divino recompõe e renova sempre.
Não  desprezes,  pois,  as  luzes  vacilantes  e  as  virtudes  imprecisas.  Não abandones  a  terra  pantanosa,  nem  desampares  o  arvoredo  sufocado  pela  erva daninha.
Trabalha pelo bem e ajuda incessantemente.
Se Deus, Senhor Absoluto da Eternidade, espera com paciência, por que motivo, nós outros, servos imperfeitos do trabalho relativo, não poderemos esperar?

APROVEITEMOS

“E destas coisas sois vós testemunhas.”  (LUCAS, 24: 48)

Jesus sempre aproveitou o mínimo para produzir o máximo.
Com três anos de apostolado acendeu luzes para milênios.
Congregando  pequena  assembléia  de  doze  companheiros,  renovou  o mundo.
Com uma pregação na montanha inspirou milhões de almas para a vida eterna.
Converte a esmola de uma viúva em lição imperecível de solidariedade.
Corrigindo alguns espíritos perturbados, transforma o sistema judiciário da Terra,
erigindo o “amai­vos uns aos outros” para a felicidade humana.
De cinco pães e dois peixes, retira o alimento para milhares de famintos.
Da ação de um Zaqueu bem­intencionado, traça programa edificante para os mordomos da fortuna material.
Da  atitude  de  um  fariseu  orgulhoso,  extrai  a  verdade  que  confunde  os crentes menos sinceros.
Curando alguns doentes, institui a medicina espiritual para todos os centros da Terra.
Faz dum grão de mostarda maravilhoso símbolo do Reino de Deus.
De  uma  dracma  perdida,  forma  ensinamento  inesquecível  sobre  o  amor espiritual.
De uma cruz grosseira, grava a maior lição de Divindade na História.
De tudo isso somos testemunhas em nossa condição de beneficiários. Em razão de nosso conhecimento, convém ouvirmos a própria consciência. Que fazemos das bagatelas de nosso caminho? Estaremos aproveitando nossas oportunidades para fazer algo de bom?

APROVEITEMOS

“E destas coisas sois vós testemunhas.” (LUCAS, 24: 48)

Jesus sempre aproveitou o mínimo para produzir
o máximo.
Com três anos de apostolado acendeu luzes para
milênios.
Congregando  pequena  assembléia  de  doze  companheiros,  renovou  o mundo.
Com uma pregação na montanha inspirou
milhões de almas para a vida eterna.
Converte a esmola de uma viúva em lição
imperecível de solidariedade.
Corrigindo alguns espíritos perturbados,
transforma o sistema judiciário da Terra, erigindo o “amai­vos uns aos outros” para a felicidade humana. De cinco pães e dois peixes, retira o alimento para milhares de famintos.
Da ação de um Zaqueu bem­intencionado, traça programa edificante para os mordomos da fortuna material.
Da  atitude  de  um  fariseu  orgulhoso,  extrai  a  verdade  que  confunde  os crentes menos sinceros.
Curando alguns doentes, institui a medicina espiritual para todos os centros da Terra.
Faz dum grão de mostarda maravilhoso símbolo do Reino de Deus.
De  uma  dracma  perdida,  forma  ensinamento  inesquecível  sobre  o  amor espiritual.
De uma cruz grosseira, grava a maior lição de Divindade na História.
De tudo isso somos testemunhas em nossa condição de beneficiários. Em razão de nosso conhecimento, convém ouvirmos a própria consciência. Que fazemos
das bagatelas de nosso caminho? Estaremos aproveitando nossas oportunidades para
fazer algo de bom?

O VARÃO DA MACEDÔNIA

“E Paulo teve de noite uma visão em que se apresentou, em pé, um varão da Macedônia e lhe rogou: Passa à Macedônia e ajuda-­nos!” (ATOS, 16: 9)
 
Além das atividades diárias na vida de relação, participam os homens de vasto  movimento  espiritual,  cujas  fases  de  intercâmbio  nem  sempre  podem  ser registradas pela memória vulgar.
Não  só  os  que  demandam  o  sepulcro  se  comunicam  pelo  processo  das vibrações psíquicas.
Os espíritos encarnados fazem o mesmo, em identidade de circunstâncias,
desde que se achem aptos a semelhantes realizações.
Mais  tarde,  a  generalidade  das  criaturas  terrestres  ampliará  essas possibilidades, percebendo­lhes o admirável valor.
Isso, aliás, não constitui novidade, pois, segundo vemos, Paulo de Tarso, em  Tróade,  recebe  a  visita  espiritual  de  um  varão  da  Macedônia,  que  lhe  pede auxílio.
A narração apostólica é muito clara. O amigo dos gentios tem uma visão em que lhe não surge uma figura angélica ou um mensageiro divino. Trata­se de um homem da Macedônia que o ex­doutor de Tarso identifica pelo vestuário e pelas palavras.
É útil recordar semelhante ocorrência para que se consolide nos discípulos
sinceros  a  certeza  de  que  o  Evangelho  é  portador  de  todos  os  ensinamentos essenciais e necessários, sem nos impor a necessidade de recorrer a nomenclaturas difíceis, distantes da simplicidade com que o Mestre nos legou a carta de redenção,
na qual nos pede atenção amorosa e não teorias complicadas. 

A QUEM SEGUES?

“Mas vós não aprendes-tes assim a Cristo.”  Paulo (EFÉSIOS, 4: 20)

O homem, como é natural, encontrará diversas sugestões no caminho. Não somente  do  plano  material  receberá  certos  alvitres  tendentes  a  desviá­lo  das realizações mais nobres. A esfera invisível, imediata ao circulo de suas cogitações,
igualmente pode oferecer-­lhe determinadas perspectivas que se não coadunam com os deveres elevados que a existência implica em si mesma.
Na  consideração  desse  problema,  os  discípulos  sinceros  compreendem  a necessidade de sua centralização em Jesus Cristo.
Quando  esse  imperativo  é  esquecido,  as  maiores  perturbações  podem ocorrer.
O aprendiz menos centralizado nos ensinos do Mestre acredita que pode
servir a dois senhores e, por vezes, chega a admitir que é possível atender a todos os desvairamentos dos sentidos, sem prejudicar a paz de sua alma. Justificam­se, para isso, em doutrinas novas, filhas das novidades científicas do século; valem­se de certos  filósofos  improvisados  que  conferem  demasiado  valor  aos  instintos;  mas, chegados a esse ponto, preparem­se para os grandes fracassos porque a necessidade de edificação espiritual permanece viva e cada vez mais imperiosa. Poderão recorrer aos conceitos dos pretensos sábios do mundo, entretanto, Jesus não ensinou assim.

BATISMO

“E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.” ATOS, 19: 5)

Nos vários departamentos da atividade cristã, em todos os tempos, surgem controvérsias relativamente aos problemas do batismo na fé.
O sacerdócio criou, para isso, cerimoniais e sacramentos. Há batismos de recém­natos,  na  Igreja  Romana;  em  outros  centros  evangélicos,  há  batismo  de pessoas  adultas.  No  entanto,  o  crente  poderia  analisar  devidamente  o  assunto, extraindo melhores ilações com a ascendência da lógica. A renovação espiritual não se verificará tão­ só com o fato de se aplicar mais água ou menos água ou com a circunstância de processar­se a solenidade exterior nessa ou naquela idade física do candidato.
Determinadas cerimônias materiais, nesse sentido, eram compreensíveis nas épocas recuadas em que foram empregadas.
Sabemos  que  o  curso  primário,  na  instrução  infantil,  necessita  de colaboração  de  figuras  para  que  a  memória  da  criança  atravesse  os  umbrais  do conhecimento.
O Evangelho, porém, nas suas luzes ocultas, faz imensa claridade sobre a questão do batismo.

“E os que ouviram foram batizados em nome de Jesus.”

Aí reside a sublime verdade. A bendita renovação da alma pertence àqueles que ouviram os ensinamentos do Mestre Divino, exercitando­lhes a prática. Muitos recebem notícias do Evangelho, todos os dias, mas somente os que ouvem estarão transformados.

FAZE ISSO E VIVERÁS

“E disse­-lhe: Respondes-te bem; faze isso, e viverás.”  (LUCAS, 10: 28)

O caso daquele doutor da Lei que interpelou o Mestre a respeito do que lhe competia fazer para herdar a vida eterna, reveste­se de grande interesse para quantos procuram a bênção do Cristo.
A palavra de Lucas é altamente elucidativa.
Não se surpreende Jesus com a pergunta, e, conhecendo a elevada condição intelectual do consulente, indaga acerca da sua concepção da Lei e fá­lo sentir que a resposta à interrogação já se achava nele mesmo, insculpida na tábua mental de seus conhecimentos.
Respondeste bem, diz o Mestre. E acrescenta: Faze isso, e viverás.
Semelhante afirmação destaca­se singularmente, porque o Cristo se dirigia a  um  homem  em  plena  força  de  ação  vital,  declarando  entretanto:  Faze  isso,  e viverás.
É que o viver não se circunscreve ao movimento do corpo, nem à exibição de certos títulos convencionais.
Estende­se  a  vida  a  esferas  mais  altas,  a  Outros  campos  de  realização superior com a espiritualidade sublime.
A mesma cena evangélica diariamente se repete em muitos setores. Grande
número de aprendizes, plenamente integrados no conhecimento do dever que lhes compete,  tocam  a  pedir  orientação  dos  Mensageiros  Divinos,  quanto  à  melhor maneira de agir na Terra... a resposta, porém, está neles mesmos, em seus corações que temem a responsabilidade, a decisão e o serviço áspero...
Se já foste banhado pela claridade da fé viva, se foste beneficiado pelos princípios da salvação, executa o que aprendeste do nosso Divino Mestre: Faze isso, e viverás.

INTUIÇÃO

“Porque a profecia jamais foi produzida por vontade de homem  algum,  mas  os  homens  santos  de  Deus  falaram inspirados pelo Espírito Santo.”  (II PEDRO, 1: 21)

Todos os homens participam dos poderes da intuição, no divino tabernáculo da consciência, e todos podem desenvolver suas possibilidades nesse sentido, no domínio da elevação espiritual.
Não  são  fundamentalmente  necessárias  as  grandes  manifestações fenomênicas da mediunidade para que se estabeleçam movimentos de intercâmbio entre os planos visível e invisível.
Todas as noções que dignificam a vida humana vieram da esfera superior. E essas idéias nobilitantes não se produziram por vontade de homem algum, porque os raciocínios propriamente terrestres sempre se inclinam para a materialidade em seu arraigado egoísmo.
A revelação divina, significando o que a Humanidade possui de melhor, é
cooperação da espiritualidade sublime, trazida às criaturas pelos colaboradores de Jesus, através da exemplificação, dos atos e das palavras dos homens retos que, a golpes  de  esforço  próprio,  quebram  o  círculo  de  vulgaridades  que  os  rodeia, tornando­se instrumentos de renovação necessária.
A  faculdade  intuitiva  é  instituição  universal.  Através  de  seus  recursos, recebe o homem terrestre as vibrações da vida mais alta, em contribuições religiosas, filosóficas,  artísticas  e  científicas,  ampliando conquistas  sentimentais  e  culturais, colaboração essa que  se  verifica sempre, não pela vontade da criatura, mas pela concessão de Deus.

ENTRE OS CRISTÃOS

“Mas entre vós não será assim.”  Jesus (MARCOS, 10: 43)

Desde  as  eras  mais  remotas,  trabalham  os  agrupamentos  religiosos  pela obtenção dos favores celestes.
Nos tempos mais antigos, recordava­se da Providência tão­só nas ocasiões
dolorosas  e  graves.  Os  crentes  ofereciam  sacrifícios  pela  felicidade  doméstica,
quando a enfermidade lhes invadia a casa; as multidões edificavam templos, em surgindo calamidades públicas.
Deus era compreendido apenas através dos dias felizes.
A tempestade purificadora pertencia aos gênios perversos.
Cristo, porém, inaugurou uma nova época. A humildade foi o seu caminho,
o amor e o trabalho o seu exemplo, o martírio a sua palma de vitória. Deixou a
compreensão de que, entre os seus discípulos, o princípio de fé jamais será o da
conquista fácil de favores do céu, mas o de esforço ativo pela iluminação própria e pela execução dos desígnios de Deus, através das horas calmas ou tempestuosas da vida.
A maior lição do Mestre dos Mestres é a de que ao invés de formularmos votos e sacrifícios convencionais, promessas e ações mecânicas, como a escapar dos deveres  que  nos  competem,  constitui­nos  obrigação  primária  entregarmo­nos, humildes, aos sábios imperativos da Providência, submetendo­nos à vontade justa e misericordiosa de Deus, para que sejamos aprimorados em suas mãos.

RENUNCIAR

“E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai,  mãe,  mulher,  filhos  ou  terras,  por  amor  do  meu  nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna.”  Jesus (MATEUS, 19: 29)

Neste versículo do Evangelho de Mateus, o Mestre Divino nos induz ao dever de renunciar aos bens do mundo para alcançar a vida eterna. Há necessidade, proclama  o  Messias,  de  abandonar  pai  e  mãe,  mulher  e  irmãos  do  mundo.  No entanto, é necessário esclarecer como renunciar.
Jesus explica que o êxito pertencerá aos que assim procederem por amor de seu nome.
A primeira vista, o alvitre divino parece contra­senso.
Como olvidar os sagrados deveres da existência, se o Cristo veio até nós
para santificá­los?
Os  discípulos  precipitados não  souberam atingir  o  sentido  do  texto, nos
tempos mais antigos.
Numerosos  irmãos  de  ideal  recolheram­se  à  sombra  do  claustro,
esquecendo obrigações superiores e inadiáveis.
Fácil, porém, reconhecer como o Cristo renunciou.
Aos companheiros que o abandonaram aparece, glorioso, na ressurreição.
Não obstante as hesitações dos amigos, divide com eles, no cenáculo, os júbilos
eternos. Aos homens ingratos que o crucificaram oferece sublime roteiro de salvação com o Evangelho e nunca se descuidou um minuto das criaturas.
Observemos, portanto, o que representa renunciar por amor ao Cristo. É perder as esperanças da Terra, conquistando as do Céu.
Se os pais são incompreensíveis, se a companheira é ingrata, se os irmãos
parecem cruéis, é preciso renunciar à alegria de tê­los melhores ou perfeitos, unindo­ nos, ainda mais, a eles todos, a fim de trabalhar no aperfeiçoamento com Jesus.
Acaso,  não  encontras  compreensão  no  lar?  Os  amigos  e  irmãos  são
indiferentes e rudes?
Permanece ao lado deles, mesmo assim, esperando para mais tarde o júbilo
de  encontrar  os  que  se  afinam  perfeitamente  contigo.  Somente  desse  modo
renunciarás aos teus, fazendo­lhes todo o bem por dedicação ao Mestre, e, somente com semelhante renúncia, alcançarás a vida eterna.

PASSES

“E  rogava-­lhe  muito,  dizendo:  Minha  filha  está moribunda; rogo­te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare, e viva.”  (MARCOS, 5: 23)

Jesus impunha as mãos nos enfermos e transmitia­lhes os bens da saúde.
Seu amoroso poder conhecia os menores desequilíbrios da Natureza e os recursos
para restaurar a harmonia indispensável.
Nenhum ato do Divino Mestre é destituído de significação. Reconhecendo essa verdade, os apóstolos passaram a impor as mãos fraternas em nome do Senhore tornavam­se instrumentos da Divina Misericórdia.
Atualmente,  no  Cristianismo  redivivo,  temos,  de  novo,  o  movimento
socorrista  do  plano  invisível,  através  da  imposição  das  mãos.  Os  passes,  como transfusões  de  forças  psíquicas,  em  que  preciosas  energias  espirituais  fluem os mensageiros do Cristo para os doadores e beneficiários, representam a continuidade do esforço do Mestre para atenuar os sofrimentos do mundo.
Seria audácia por parte dos discípulos novos a expectativa de resultados tão
sublimes  quanto  os  obtidos  por  Jesus  junto  aos  paralíticos,  perturbados  e
agonizantes.
O  Mestre  sabe,  enquanto nós  outros  estamos  aprendendo  a  conhecer. É
necessário, contudo, não desprezar­lhe a lição, continuando, por nossa vez, a obra de amor, através das mãos fraternas.
Onde  exista  sincera  atitude  mental  do  bem,  pode  estender­se  o  serviço
providencial de Jesus.
Não importa a fórmula exterior. Cumpre­nos reconhecer que o bem pode e
deve ser ministrado em seu nome.

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